A História da Grafologia

  • Foi em 1622 que Camilo Baldo (1547-1634), médico e filósofo da Bolonha, escreveu um tratado que, já por seu extenso título, exprime o esforço para fazer-se compreender por um grupo de pessoas sérias e sublinhar a importância do assunto: “Tratto comme uma lettre missiva si cognoscano la natura e qualita Del scrittore.”
  • Baldo foi o primeiro a escrever de uma forma elaborada sobre a relação entre a grafia e seu autor – o que é o verdadeiro campo da Grafologia – através do estudo de cartas manuscritas.
  • É interessante notar na história da Grafologia que, após o tratado de Baldo no século XVII, ela só volta a aparecer no século XVIII quando ligada à fisionomia. O teólogo e escritor Lavater escreveu “Fragmentos sobre estudos fisionômicos”, com a finalidade de “fomentar os conhecimentos sobre os seres humanos e o amor ao próximo”.  No século XIX fundou-se a primeira escola de interpretação da escrita nos arredores de Paris e, desde então, a Grafologia tomou impulso e até hoje não mais parou.
  • O Abade Jean Hyppolyte Michon (1806-1881), homem sensível, culto e organizado, estabeleceu a base clássica da Grafologia publicando o primeiro livro, “Os Segredos da Escrita”. Posteriormente Michon publicou o seu, até hoje famoso livro básico, “O Sistema da Grafologia” que complementou o livro anterior e que deu nome a essa ciência. Conforme Annie Teillard, hoje em dia a Grafologia não mais precisa lutar para se provar como ciência, mas apenas confirmar-se.
  • Quanto à Crépieux-Jamin, ele aprimorou a obra de Michon. Ele foi o primeiro a falar de Movimento Gráfico, idéia que foi aproveitada e que se tornou fecunda mais tarde nos estudos de médicos fisiologistas e psicanalistas. Foi ele que explicou, em seu livro “A B C de la Graphologie”, que cada movimento tem uma origem diferente, fundamentando a base científica da Grafologia.
  • Cabe também à Crépieux-Jamin a idéia de olhar o conjunto da escrita, que mais tarde foi desenvolvido por Klages em seus trabalhos sobre os diferentes níveis de Form-nível da grafia. Um dos seus critérios foi o da consideração primordial da harmonia do texto.
  • É necessário reconhecer que Michon e Crépieux-Jamin lançaram, através de seus estudos meticulosos, o fundamento classificatório para uma posterior teoria da expressão gráfica que hoje é reconhecida como a Grafologia Científica.
  • Devemos reconhecer ainda que um grande avanço na Grafologia foi dado por Klages (1872-1956) quando começou a diferenciar na escrita os movimentos voluntários e os involuntários e, particularmente, a sua avaliação da Harmonia, reformulando assim com o conceito de Form-nível. Klages estudou a expressão humana em suas mais variadas formas. Este estudo abrangeu a percepção do psíquico na expressão humana, seja na mímica, na fala, nos gestos e na grafia. Entre essas expressões, a grafia ocupa um lugar especial, uma vez que ela representa o movimento coagulado através da tinta no papel, um gesto fixado que se presta mais facilmente aos estudos.
  • Foi então que entrou Max Pulver (1889-1952), cujos estudos grafológicos se baseiam na psicologia da profundidade. Ele demonstrou o Simbolismo do Espaço quando afirmou que a escrita se desenvolve em um espaço bidimensional: acima-embaixo e direita-esquerda, incorporando assim o inconsciente, a realidade, os ideais, o passado, o futuro, o feminino, o masculino, etc.
  • Muitos outros contribuíram ainda de forma decisiva para a Grafologia, mas todos eles jamais saíram do sistema de Crépieux-Jamin. Coube a eles incluir na Grafologia as atualizações, as modernidades que foram chegando com o próprio avanço da humanidade, sem jamais entrar em contradição com as percepções anteriores.
  • De tudo isso, podemos dizer que a França, Alemanha, Suíça e a Itália são consideradas os berços da Grafologia.
  • Somente um pouco mais tarde é que os países de língua alemã vieram ocupar um lugar de destaque neste campo, através de Klages e Pulver. Já na Inglaterra, assim como na América do Norte, o interesse por essa ciência aconteceu mais lentamente. No entanto, nada disso impede que a Grafologia tenha o seu valor prático reconhecido em muitos países, sendo sua matéria ensinada em grandes e sérios institutos tais como o de Paris, o New School for Social Research de Nova Iorque e o Instituto Jung da Suíça.

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